movimento de câmera
Uma pesquisa realizada a partir da colaboração entre o pesquisador do cinema Michele Guerra e neurocientistas, publicada em 2014, demonstra que os movimentos de câmera de aproximação (como zoom, dolly e steadycam) aumentam o potencial de simulações sensório-motoras dos espectadores com relação a observação de ações-motoras relacionadas com a mão. Esta pesquisa demonstra que os espectadores também incorporam os movimentos de câmera. HEIMANN K., UMILTÀ M.A., GUERRA M., GALLESE V. (2014) Moving mirrors: A high density EEG study investigating the effects of camera movements on motor cortex activation during action observation. Journal of Cognitive Neuroscience, 2014
Ensino-Aprendizagem do Movimento de câmera
De acordo com Casetti (1991) os movimentos de câmera são os aspectos linguísticos que distinguem o cinema das formas de arte que o precederam. O autor classifica os movimentos de câmera em duas categorias: panorâmicas e travellings. As panorâmicas são os movimentos de câmera realizados em eixos verticais e horizontais fixos, através de um movimento de rotação. Os travellings são caracterizados pelos movimentos reais e aparentes da câmera. Os movimentos reais ocorrem a partir da movimentação da câmera pelo espaço e pode ser realizada através do corpo do operador de câmera e com o auxílio de diversos equipamentos cinematográficos, carrinhos (dolly), gruas, estabilizadores (steadycam), cabos, etc. Os movimentos aparentes são realizados a partir do uso de lentes, zoom in e out.
O Acoplamento Estrutural é o modelo descritivo criado por Maturana e Varela (1995) para explicar como ocorre o fechamento, o determinismo estrutural dos sistemas viventes e a abertura destas unidades que interagem permanentemente com o meio, um fenômeno que surgiu a aproximadamente 3,4 bilhões de anos. No acoplamento estrutural, as unidades autopoiéticas e o meio se modulam mutuamente. Metaforicamente, da mesma forma que nossos pés moldam os sapatos que utilizamos, estes moldam os nossos pés, como na tela de Van Gogh (1886) - Três Pares de sapatos.
É nesse sentido que há acoplamento estrutural entre os espectadores, os filmes e o operador de câmera.

